Maria Eugênia
Apesar do grande investimento na área da educação feito pelo último governo, na prática, ainda deixou muito a desejar. A maior parte desse investimento esteve direcionada a cursos superiores e técnicos, o que é muito bom para a necessidade de profissionais qualificados no mercado, mas isso é só mais um reflexo do imediatismo característico da nossa sociedade. O resultado são estudantes abandonando a escola e, quando não o fazem, saindo mal formados. O mal de um país mal educado, é o pouco discernimento quanto à propaganda. A população jovem sente-se satisfeita por ouvir que há grandes investimentos na educação e que terão maiores chances de chegar à uma boa universidade. Então volto a dizer que isso traz resultados imediatos, ou nem isso. Falta visão de futuro às pessoas, mas nenhum governante quer deixar os louros para seu sucessor, quer? E enquanto isso, crianças e jovens sofrem em escolas ruins e ambientes inadequados para recebê-los.
Professores desinteressados e indiferentes. Construções muitas vezes perigosas. Mobília despedaçada. Pouca higiene. Para grande parte dos jovens alunos brasileiros, essa é a realidade encaram todos os dias. Muitos deles nem chegam a pensar na possibilidade de uma universidade no futuro, pois não teriam condições para se manter fora de casa ou cumprir as exigências do ensino superior, sendo que tiveram uma base tão fragmentada. Há aqueles que frequentarão a escola até a quarta ou quinta série, visando apenas noções básicas de leitura e escrita para, então, poderem trabalhar; outros nem ao menos aprenderão a ler, pois seu único motivo para ainda frequentar a escola é o alimento. Saber da pouca atenção direcionada aos nossos jovens deveria ser o suficiente para envergonhar um país que vende sua cultura e folclore para o exterior. Mas não o é.
Além de receberem as crianças em ambientes pouco higiênicos, violentos, perigosos e mal estruturados, as escolas públicas e estaduais desvalorizam os professores de forma nunca imaginada em qualquer outro país. Há indíces surpreendentes de professores abandonando escolas devido a doenças mentais, tamanha a pressão a que são submetidos enquanto têm que conviver alertas quando a facadas e tiros de alunos.Qualquer país que se preze e que deseje ter uma população que viva bem, trata a educação como prioridade; e não o carnaval e o petróleo. Uma má formação têm repercussões catastróficas na sociedade. Tomo a liberdade de citar o filósofo Gaudêncio Frigotto, que diz que "o resultado é político, cultural e ético. Ninguém senta para analisar quem produziu esses seres humanos tão monstruosamente frios na barbárie do carro que arrastou uma criança no Rio de Janeiro. Eles não são naturais, são historicamente produzidos."
A população brasileira precisa - ainda - de uma mudança de pensamento, de visão aberta e senso crítico quanto à realidade que encara. Enquanto a nossa educação for tratada com tanto descaso por nós mesmos, a realidade do Brasil continuará a ser a violência, a fome, a corrupção e a miséria. A máxima corrente afirma que os jovens de hoje serão o futuro de amanhã. Alguém já se perguntou quanto tempo mais nosso país levará para amadurecer?
(Para quem se interessar, é uma reportagem muito interessante e bem feita.)
Sorry, Erika. Não era pra ter ficado desse tamanho.
ResponderExcluirAcho que falei a mesma coisa que a Maro =x. Juro que não li antes =) . Sthefania
ResponderExcluir-F-O-D-A- Adorei a parte (lá em cima) onde disse que nenhum governante gostaria de deixar "sua glória" para seu sucessor. Exatamente, eles entram no governo, não pensando no país e as melhoras necessárias, mas sim em sua imagem e no que a população vai gostar "Pai dos pobres". Também concordo com a parte em que enquanto tratarmos a educação com descaso, nada mudará. O povo é quieto demais. Na França, o governo só ameaçou aumentar a idade para se aposentar, o povo já foi pra rua protestar, lutar pelo que queria. Falta disso no país. Enfim, adorei seus textos. Tenho que procurar saber mais, assim como você sempre está procurando na hora do intervalo. rs
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