quinta-feira, março 17, 2011

A mudança onde ela tem que estar

Em meu primeiro dia no SENAI, o professor, olhando para a sala cheia, mais ou menos 22 alunos, ouvindo o comentário de um deles que disse: "nossa, muita gente que passou na seleção não veio" disse: "Isso é normal. Dos que estão aqui vão desistir metade, e se dez se formarem, uns cinto terão aprendido alguma coisa, desses cinto, um ou dois serão realmente bons profissionais." Todos se admiraram, negaram, disseram que que aquilo não poderia ser verdade. Hoje, a três meses da formatura somos sete, e notas altas mesmo só dois.

Esse exemplo é um retrato do que seria a educação brasileira se não estivesse escrito na constituição que todos cidadão tem direito à educação gratuita e de qualidade, e que o estado pode punir quem impedir que isso aconteça. Somos obrigados e pagam-se aos pais para fazerem suas crianças irem à escola todos os dias.
Nunca nos foi ensinado que estudar nos faz ser melhores como pessoa, crescer, entender o mundo e conhecer tudo que há de fascinante nesse planeta. Aprendemos que a escola é um xarope amargo, que se não tomarmos por bem nos será enfiado boca abaixo, e se mesmo assim resistirmos e não tomarmos, nosso destino será inevitavelmente puxar uma carroça durante o resto de nossas vidas.

Os jovens que crescem ouvindo isso chegam ao ensino médio vendo qualquer oportunidade de não estudar como um bonus, ficam felizes por não serem obrigados a fazer um curso ou escrever toda semana em um blog de redação.

A mudança que a nossa presidenta Dilma tanto quer tem quem que ter o objetivo de alcançar a mente da sociedade. O primeiro passo para isso ela mesma deu: deixou toda a população penssando porque a primeira presidente mulher, ou presidenta, como prefere ser chamada, falou tanto de educação e escola ao tomar posse de um pais que acabou de descobrir um lago de petróleo bem no seu quintal. Parabéns a Dilma e a todos que sempre acreditaram que a educação é sim um remédio, mas que não tem um gosto amargo.

Sthefania
  

3 comentários:

  1. Sthe, eu adoreeei seu texto!
    gostei pq alem de vc fazer um comentario geral vc ainda deu o exemplo do senai. Nunca imaginei que isso pudesse acontecer justo no Senai, tão perto da gente..

    Ana Clara.

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  3. Legal mesmo é pensar que eu sou um dentre os vinte e dois que começaram, mas, triste mesmo é fazer parte dos sete saudáveis que mesmo provando do amargo todos os dias continuam na luta.

    Uma correção: erroneamente a palavra triste faz parte do último parágrafo, simplesmente porque ter com quem compartilhar todas as tardes de sorrisos e alegrias como as nossas não é digno de um adjetivo tão vazio quanto esse. Triste é saber que a boa vontade do ser humano se revela cômoda e de extrema invalidez.

    Última ressalva: o AMARGO às vezes é DOCE.

    Belo texto Sthefânia =]

    Igor.

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