Maria Eugênia Arantes Gonçalves
(Já aviso que esse será um texto menos "elaborado")
É inegável o impacto causado pela eleição da primeira presidente (sim, com E), Dilma Roussef, que, além de tudo, traz consigo um passado desaprovado por muitos. Ao contrário desses muitos, acho que é exatamente esse "passado" de luta que me intriga, porque ela não o nega, ela o admite sem medo algum. Isso eu considero convicção em seus próprios princípios e me faz esperar que ela não se deixe abater durante o mandato, e nem se influenciar por aquilo que não corresponda à seus planos. No entanto, ainda prefiro não me posicionar quanto a isso, e prefiro que reflitamos sobre outra coisa: O que é um presidente e qual a sua função? Por que é que a cada quatro anos tantas coisas são postas em jogo pela escolha de cada cidadão?
Às vezes me pego pensando nisso... Sempre tive dos presidentes uma imagem de pai, de líder, daquele que organiza as coisas, que põe "ordem na casa". Mas à medida que eu crescia, comecei a notar que aqueles países vistos como "melhores" não são aqueles organizados. Comecei a notar que os presidentes eram julgados por bons ou ruins de acordo com a imagem que alcançavam em um nível internacional. Mas, espere aí, a função deles não é organizar o país de forma que todos vivam bem? Então percebi que o conceito de presidente e de qualidade anda bastante distorcido.
Talvez possamos realmente ver um bom sinal em adquirir um certo nível de fama, pois significa que algo de importante tal personalidade realizou. Mas não devemos focar todas as nossas energias nisso. Quando escolhemos um representante (seja o presidente, o prefeito, o deputado ou um simples líder de classe), nossa intenção é ter alguém que ouça o que temos a dizer, alguém a quem possamos expor nossas necessidades, vontades e expectativas, e que leve isso em consideração ao tomar suas atitudes. Porque a principal dificuldade de se viver em sociedade, é conciliar as diferentes culturas e costumes, para que possam coexistir num mesmo lugar, e é por isso que, inconscientemente, todas os povos acabaram por desenvolver alguma forma de hierarquia, para que houvesse sempre alguém que pudesse se desligar de tudo e colocar as coisas no seu devido lugar.
E partindo desse princípio, fico escandalizada quando há repressão de manifestações, quando o governo toma decisões mesmo estando claro que aqueles mais afetados por ela não a desejam. A função dele não era realizar aquilo que o povo deseja, não é atender às necessidades de quem o escolheu? Então porque ele age como se fosse independente?
Enfim, não tenho mais nada a acrescentar. Talvez pareça que fugi ao tema. Mas, recentemente, ouvi um comentário do tipo "Tal presidente é muito bom, já conquistou renome mundialmente", e acabei me questionando porque então há tantos países onde se vive bem cujos líderes são pouco conhecidos. Será que o meu presidente famoso é melhor que o presidente "anônimo" deles?
Considero a Dilma uma mulher firme e, como todos os brasileiros, espero que suas atitudes façam jus à sua imagem. Apesar disso, está na hora de analisarmos de modo menos apaixonado nossos líderes, e pararmos para pensar que tipo de vida o nosso povo está recebendo.
Veja só sua "Mulher firme". Ano passado uma tragédia destruiu uma escola em Alagoas. Se não me engano, foi quando houve aquela enchente em que uma represa estourou destruindo casas, hospitais, etc... Pois bem, a população esperou enquanto o governo do estado, juntamente com o federal, construisse a escola. Há três meses a escola já está pronta, com capacidade para cerca de mil alunos. Tudo muito lindo e maravilhoso. Porém, não pode ser inaugurada, pois ainda estão agendando uma data de inauguração que coincida com um dia que Dilma Rousseff possa comparecer ao evento. Agora me diga, o que importa mais, todos os alunos de volta à escola ou a imagem da presidenta? Não sei, mas nesses oito anos de mandato se pregou muito a boa imagem, o cara que se dava bem com todo mundo. Acho que Dilma está mais preocupada com sua imagem. O povo que espere ela aparecer acenando como a salvadora do mundo. Escola? "Calma aí molecada alagoana, mês que vem a Dilma reabre ela e, de queda, dará umas balas para vocês." Bom, foi o que vi no Jornal Nacional. Aquele que por muitos é tido como "aliado do governo". Já nem sei de mais nada.
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