Maria Eugênia
Energia elétricas, nanotecnologia, ferro, internet, agrotóxicos, plásticos, satélites, radiação, transgênicos...
Quem tenta imaginar o seu cotidiano sem esse tipo de coisa, entre muitas dezenas de outras, pensará ter encontrado uma tarefa impossível. Não existe dizer que "há algum nós nem tínhamos isso", porque o arroz e o feijão também não existem desde sempre, mas certas coisas simplesmente tornam-se necessidade e passam a ser indispensáveis para várias sociedades. Mas melhoras nas áreas científica e tecnológica nem sempre significam progresso, e, de certa forma, quem dá o primeiro passo, nunca aceitará os obstáculos para que se dê o próximo. Se prestarmos atenção, essa corrida desenfreada pelo chamado progresso nem sempre surtirá bons efeitos; na verdade, muitas vezes as novas tecnologias serão úteis a uma parcela pequena da população, menor do que aquela que será prejudicada por elas. E temos aí um grande dilema.
À medida que as civilizações evoluíam, diversas substâncias e práticas foram se fazendo tão necessárias que, quando alguma delas falta, causa um grande transtorno ao indivíduo ou a um grupo de pessoas. Por essa pequena observação, já se nota que nem tudo são vantagens, pois, de certa forma, tornamo-nos dependentes de certas coisas que podem limitar nossa adaptação e nosso desenvolvimento se não estiverem presentes. Mas por enquanto só falamos de coisas indiretas. Nos últimos séculos, essas "substâncias e práticas" passaram a crescer em outros sentidos e, principalmente após a Revolução Industrial, temos sido atacados por quantidades torrenciais de toxinas e radiação - principalmente. A partir daí, ao invés de estarmos dependentes, estamos sendo confrontados pelas tecnologias e, até que o combate a cada aspecto prejudicial de cada uma delas, de dezenas a milhares de vidas podem ser perdidas. Sem nos esquecermos, logicamente, que para cada tecnologia tornada 100% inofensiva, muitas outras surgem, o que torna o combate de todas elas praticamente impossível porque, além de tudo, suas toxinas estão em todo lugar, do alimento ao ar, e não há como fugir delas.
Nesse momento atingimos o núcleo da questão.Pois, se antes nossa preocupação era com o ar e com os alimentos, estudos indicam que agora estamos atingindo, definitivamente, a toda a sociedade. Os nossos bebês, desde o seu primeiro dia de vida, ingerem quantidades de substâncias que podem prejudicá-los em seu desenvolvimento. Pior: desde sua fase embrionária, já correm esse risco. Foi comprovado que os agrotóxicos dos alimentos tornam-se componentes do sangue do ser humano e, o que é preocupante, do leite materno. Se cada um que "contribuísse" ao progresso da nação (ou do mundo, nessa nossa era globalizada...) sofresse sozinho as consequências dela até que tudo fosse estabilizado, então teríamos cientistas mais conscientes e prudentes. Mas estamos deixando para perceber os danos apenas quando muito tempo já se passou, e enquanto isso, não só a vida humana, mas ecossistemas inteiros são prejudicados.
Então eu me pergunto até que ponto vale a pena expor a vida à perigos muitas vezes fatais, em nome de um progresso ainda não necessário? E mais, a partir do momento que temos o futuro de outras formas de vida sendo comprometidos, devemos refletir: Quem é o ser humano, o que ele é, para se ver em posição de decidir quem pode viver e quem pode morrer?
muito bom o seu texto.
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