Maria Eugênia Arantes Gonçalves
Em resposta à todos os brasileiros que estufam o peito para cuspir no próprio chão, uma onda se levanta no espaço internacional, trazendo o Brasil a tona nesse novo contexto econômico e político que há alguns anos tomou conta do planeta. Longe de mim tentar pintar com cores apaixonadas o nosso país, que ainda está cheio daqueles problemas que todos nós conhecemos tão bem. Mas não entrarei em aspectos econômicos ou políticos aqui - não é novidade que esse não é meu melhor campo. Prefiro me direcionar à parte sociocultural de toda essa reviravolta.
A começar pelo idioma, não é difícil nos depararmos com quem reclame de nossa língua-materna. E é só o começo, pois então abrem-se as portas para outras críticas: à nossa cultura, nossa história, nossa imagem deturpada em muitos lugares longe daqui. Que o "prato do vizinho" é sempre mais bonito já não temos dúvidas, mas talvez isso só seja verdade porque nos servirmos sem olhar para o nosso próprio prato. Historicamente, nosso país só foi explorado e destruído porque, já no início, souberam que seria um país bom. A partir de então, nosso território virou um verdadeiro caldeirão onde cada parte do globo vinha cair para acrescentar alguma coisa. Foi ruim? Sem dúvidas. Não teríamos um país tão desigual e regiões tão pobres se o Brasil fosse menos atraente, menos rico e menos distante do que um dia foi o centro do mundo - a Europa. Mas não podemos voltar no tempo e impedir que isso aconteça. Então não nos esqueçamos de que, hoje, nossa nação tem cara própria. Com um pedaço de cada um, fez sua máscara, "abrasileirou" os costumes europeus, africanos, asiáticos, e misturou-os todos. Além de tudo, não deixou para trás aquilo que já era seu. O índio, que ainda hoje é um símbolo tão nosso - por mais hipócrita que isso seja.
Não, não é minha intenção falar de toda a formação cultural do Brasil. No entanto, o que nós somos é o resultado de muito tempo de interação, de aprendizagem, de perdas e ganhos. Nossa cultura, tão variada, conseguiu ser única a partir do que era igual. Entender como chegamos aqui nos leva a admirar cada pedacinho de que nossa identidade é feita. E agora que o centro do mundo está mudando, enquanto as maiores nações estremecem, a nossa se solidifica. A estabilidade que adquirimos economicamente (no cenário internacional), é agora visada pelo mundo. E o fato de termos em nós cada pedaço desse mundo, nos permite fazer com que o estrangeiro veja o nosso país como o seu país. Começamos a deixar nosso aspecto de inferioridade para equilibrar um pouco as coisas.
Como disse inicialmente, não estou aqui para colocar o Brasil em um pedestal. Admitamos que, de alguma forma, estamos simplesmente aproveitando "a desgraça alheia" e, se não nos cuidarmos, quando a poeira baixar, as bases a tremer serão as nossas. Para Jenesi Figueiredo, o país continua na mesma, e é só o terror do estrangeiro que conseguiu nos elevar. Não vamos nos perder em visões apaixonadas e tirar os pés do chão. Estamos aproveitando muito bem a atual situação crítica das outras nações para conquistarmos os países, só não nos esqueçamos de conquistar o próprio povo brasileiro, que vê diariamente tanto erro, tanta injustiça e miséria, tantos outros tipos de desgraça. Não basta termos uma foto bonita, por dentro, uma hora a coisa vai ter que funcionar, e não se pode esperar para sempre.
(Maria Eugênia)
ResponderExcluirBem, Érika, só algumas considerações.
Eu adotei um tom completamente diferente dessa vez, preferi deixar um pouco de lado o meu aspecto "esse mundo não tem conserto".
Realmente, eu fico mais do lado de J. Figueiredo, e não acho que, por si só, o país teria feito essa volta por cima tão rápido. Não ignoro que o Brasil cresceu muito,e, em muitos aspectos, está sim se tornando num bom país. Mas sou muito cética em relação a isso - ainda. E realmente acho que há muito por mudar.
De qualquer forma, não menti falando da nossa cultura. Por mais hipócrita que sejamos às vezes em relação à alguns povos ou regiões, eu acho incrível toda essa riqueza de tradições do nosso país, e uma das coisas que me atrai muito. Tentar entender e buscar a raíz de tudo isso o que somos hoje.
.. É isso.
Tá... Eu também concordo que o Brasil mudou pra melhor. Só estou esperando o dia em que eu VIVA essa melhora e possa deixar ela pros meus sucessores.
ResponderExcluirEu acho que esse país "ótimo ou bom" que o povo disse que vivemos foi mais falado que vivido, não sei... Infelizmente, não consigo achar melhoras.
(NÃO CONSIGO ELOGIAR O 'MELHOROU UM POUCO').