Maria Eugênia
"E porque chorar por partes da vida, se é o todo que pede lágrimas?"
Sêneca
A propaganda toda feita em cima desse acontecimento está influênciando a população a opiniões extremas e superficiais. Ora defendem e dão aspecto de mártir ao assassino reprimido na infância, ora vão condená-lo por sua religião e por mexer no computador. O que não posso deixar de comentar é essa ligação ridícula e infantil entre religião e violência. Qual é o problema com a religião da pessoa? O fundamentalismo não existe apenas no islã, e condenar religiões diferentes da nossa só nos tornam mais estúpidos. Esse tipo de argumento não passa de uma teoria vazia criada para nos convencer de certas mentiras sobre terrorismo que são propagandeadas diariamente.
Voltando ao assunto, não importa quantos psicólogos apareçam na televisão, não há como ficar impassível diante de tantas tragédias. Se esse fosse um caso único, talvez pudéssemos justificá-lo, como estão tentando fazer. Mas se esse tipo de coisa vive a se repetir, então é porque algo está errado e é hora de começarmos a procurar onde esse "algo" está.
A indústria do medo lucra centenas de vezes mais a cada vez que uma tragédia dessas é noticiada. Mas não parece covardia que nos escondamos atrás de muros ao invés de ir buscar a raíz do problema? A imagem que eu tenho em mente é a de um campo de batalha: de um lado um exército, e outro apenas uma arma programada, dando tiros para todo lado. Ao invés de tentarem chegar ao outro lado e desativarem a arma, as pessoas tentam nos vender escudos mais resistentes e nos ensinar a recuar. E nós acreditamos estar fazendo o certo, mesmo quando já não há espaço para recuo e quando os escudos ficam pesados demais. Quando é que vamos deixar de criar barreiras entre nós e o problema e partiremos para a ação?
Estamos estereotipando bandidos, incriminando objetos inanimados (computador manda matar? acho que não), julgando religiões sem conhecê-las, justificando atos injustificáveis. E tudo isso por quê? "O quanto vale a vida de alguém em um contexto de tantos ódios?" Essa propaganda de medo em meio ao qual vivemos nos limita, nos impede de agir, nos pressiona até chegar o ponto em que as pessoas começam a escapar pelos vãos, começam a cometer atrocidades contra os outros ou contra si mesmas. Está na hora de pararmos de tentar nos proteger e começar a tentar evitar.
Quanto ao Realengo. Sim, fiquei chocada e senti muito pelas crianças. Mas chorar suas mortes não as trará de volta, lamentar a tragédia não resolverá o problema.
http://www.cartacapital.com.br/politica/nenhuma-escola-e-ilha
ResponderExcluirEsqueci de por esse link, é um texto muito interessante e acho que todos deveriam ler.
(Maria Eugênia)
Não tem nada pra comentar aqui. Você falou tudo. rsrs
ResponderExcluirConcordo em tudo, pessoas focalizam muito e esquecem do todo. Pessoas morrem todos os dias em situações até mais cruéis e ninguém se comove.
Bom, a Televisão faz muito bem o seu papel. Manipulação neles!
A indústria do medo trabalha muito bem, assim como outras partes da mídia (como disse Sir Alex Daniel Felix). A minha avó, por exemplo, fica perdendo tempo assistindo Datena. Já tentei explicar que não adianta. O cara grita, esbraveja e, simplesmente, não faz nada. Veja onde quero chegar com esse exemplo ridículo... Se amanhã, de repente, acabassem os crimes, assaltos, estupros, nosso amigo Datena ficaria sem o que fazer. Como todos sabem, jornalismo no Brasil (que é o que conheço) vive de notícia ruim e acho que para eles é o que convém, mesmo que isso seja mal. Sei lá, às vezes sou muito conspiratório (como diz Sir Alex Victor Leandro). Não tenho muito conhecimento sobre assuntos sociais, até porque minha sociedade raís vive em função de trabalhar para poder beber no fim de semana. Mas, ainda mudo. Estou tentando. rs
ResponderExcluirPorra! Escrevi RAíS. =) Teclar com uma mão porque tem que tomar café. Essa é minha vida. =) SORRY!
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