domingo, outubro 02, 2011

A morte desejada

Nicole Garcia
A morte desejada                                                                                            
     Por quem não quer sofrer em vida!

NÃO é fácil ter uma opinião sobre a eutanásia, sobretudo quando ela é dada por quem, em vida, não sofre de nenhuma doença incurável e dolorosa.
Podemos estar contra a morte assistida por razões éticas, sociais, religiosas ou, muito simplesmente, porque temos medo da morte.
Podemos ser a seu favor, em consequência do nosso próprio sofrimento, do exemplo sofrido por aqueles que nos são próximos ou, pela simples razão de encararmos a morte com a mesma inevitabilidade com que consideramos a vida, ou seja, vivida de forma digna.
Em qualquer dos casos, a nossa opinião/decisão sobre este assunto, é algo muito íntimo, muito próprio de cada um de nós e as condições para uma posição objetiva sobre o aceitar ou não aceitar a eutanásia dependem, em muito, da nossa experiência de vida, da nossa maturidade consciente e dos princípios e valores que nos conduzem ao longo da própria vida.
Por isso, tendo em consideração a forja de mentalidades, que atualmente ocupa o plano das decisões sociais mundiais, temo que uma simples e humanamente compreensível medida, destinada a evitar o insuportável sofrimento humano, cujo destino é a morte, vulgarize o superior conceito da vida, relativizando-o ao nível das conveniências socioeconômicas.
Em suma, não tenho medo que a sociedade humanize a vida, mas não posso deixar de recear que, em nome da qualidade de vida pretendida, ela se desumanize!
Razão pela qual não posso deixar de ter dúvidas quanto à eutanásia.

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