sexta-feira, maio 13, 2011

Em Busca do Equilíbrio

Maria Eugênia Arantes Gonçalves

          O projeto aprovado pela CNE é realmente interessante. Como já citaram antes de mim, a maior dificuldade dos jovens é encontrar na escola aquilo que ele praticará fora dela, e entender essa ligação. Ao mesmo tempo, a diversidade de cursos e profissões em uma mesma área torna difícil escolher exatamente o que se quer. É realmente importante inserir nos conceitos estudados aquilo que é vivenciado no cotidiano dos alunos, e é justamente nesse ponto que o projeto foca: trazer a realidade e a necessidade para as salas de aula. Se considerarmos que grande parte dos estudantes, principalmente em cidades menores, acabarão nem ao menos tentando entrar em alguma faculdade por não ter condições de se manter longe de casa, esse novo projeto abre portas para que ele ao menos entenda como funcionam as principais formas de trabalho de sua região, tendo assim maiores chances de entrar no mercado e de não ser excluído dele por sua falta de oportunidades.

          Até então, apenas vantagens. Mas vale lembrar que os vestibulares são "universais" e não podem se adaptar à cada microrregião. Devemos cuidar para que o maior foco em certas áreas não acabe por diminuir a importância de outras matérias e assim acabem prejudicando aqueles que não desejam seguir a economia da cidade, mas que optam por escolhas diferentes em lugares mais distantes. Não apenas os professores, mas os alunos devem entender que, como afirmou José Fernandes de Lima, o Ensino Médio ainda é a conclusão do Ensino Básico no Brasil e que o projeto não tem a intenção de transformá-lo em curso técnico. Sabemos que a organização de muitas escolas públicas deixam a desejar, portanto deveremos manter os olhos muito abertos para que nosso futuro não seja comprometido em nome de interesses da escola/cidade, e que possamos receber uma educação melhor sem que nos prejudiquemos a nós mesmos.

Um comentário:

  1. Interessante. Mas, não só as escolas públicas tem essa deficiência, como as particulares também. Nossa linda escola, por exemplo, querendo ou não falha e feio nessa parte. Ali, se tivermos um músico, artista plástico, ator, escultor, entre outros, ninguém vai saber. Não estou tentando acabar com nossa escola, só dizendo o que há. Se prega Português, Matemática, essas coisas. Mas quem disse que só com isso se descobre um profissional. Claro, saber essas coisas é bem útil. Sempre foi e acredito que sempre será. Como a Erika diz, falta uma maior atenção ao desenvolvimento de habilidades. Estas, entre os alunos de uma escola, são muitas. Não vamos viver só de cálculos, escrita e elementos químicos. Essa pobreza nas escolas faz com que, o aluno que sai mal na escola, comece a sentir um inútil, sem talento e fracassado. Muito pelo contrário, todos tem uma habilidade, basta saber qual é. Infelizmente, na escola, não se trabalha isso. É uma pena.

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